Observatório da Mantiqueira · Ocupação do território · onde moro
É onde moro, em Santo Antônio do Pinhal, na Serra da Mantiqueira.
O sítio é casa, laboratório e oficina. E, dentro do Observatório, é a escala mais próxima: o lugar onde dá para ver de perto como a ocupação de um pedaço de terra conversa com a água, a mata e a paisagem em volta.

Ali mantenho uma pequena agrofloresta com banana, araucária, juçara, mandioca, frutas, Camellia sinensis e outras espécies; experimento sistemas de cultivo, manejo de água, criação de galinhas, meliponicultura, viveiros e uma quantidade razoável de projetos que provavelmente nunca estarão completamente terminados.
É também onde muitas das ideias que aparecem neste site deixam de ser abstratas.
O sítio, medido
Em 2026 levantei o sítio inteiro com dados abertos: relevo, água, uso da terra e vinte anos de imagens de satélite. Duas coisas que aprendi e não esperava:

A área que alimenta a água do sítio tem 237 hectares, e 90% dela está fora das minhas divisas. O que acontece na propriedade do vizinho chega aqui.
E a cobertura nativa subiu mais de 30 pontos entre 2004 e 2025 — o manejo de duas décadas aparece na série de satélite, ano a ano.
A montar. O estudo completo já existe, com relatório, mapas e uma página navegável gerada. Falta trazer isso para cá.
O símbolo
Cyanocorax caeruleus, a gralha-azul, deu nome ao sítio por sua antiga relação com as florestas de araucária. Ao colher, transportar e esconder pinhões para consumir mais tarde, a ave acaba deixando parte dessas sementes pelo caminho. Algumas germinam, ajudando a floresta a avançar para novos lugares.
A gralha-azul não é uma presença típica desta parte da Mantiqueira, mas o processo que ela representa está no coração do sítio: plantar, dispersar e criar condições para que a vida continue por conta própria. Por isso, mais do que uma ave que habita o lugar, ela se tornou um símbolo daquilo que queremos fazer nele.
